Relatório Individual – unidade 1 por Paulo Gonçalves – Quinta, 8 Fevereiro 2007, 22:11 8 Fevereiro, 2007
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EDUCAÇÃO E SOCIEDADE EM REDE
DOCENTE: PROFESSOR PEDRO ABRANTES
A EMERGÊNCIA DA CIBERCULTURA E AS SUAS IMPLICAÇÕES EDUCATIVAS

TRABALHO REALIZADO POR:
PAULO MARTINS GONÇALVES
ALUNO Nº: 67042
A EMERGÊNCIA DA CIBERCULTURA E AS SUAS IMPLICAÇÕES EDUCATIVAS
O tema sobre o qual me irei debruçar nas próximas linhas é sobejamente vasto e complexo, para poder ser tratado de uma forma perene e suficiente em duas páginas apenas.
Se atendermos ao significado de WWW (World Wide Web), conseguimos vislumbrar, por breves momentos, a vastidão do tema. Ao conjugarmos as palavras: World – mundo, universo, gente, sociedade, globo terrestre, Terra; Wide – vasto, largo, remoto, distante, extenso, amplo; Web – tecido, teia.
Para melhor compreendermos o impacto das novas tecnologias de informação e comunicação na cultura contemporânea devemos canalizar o nosso esforço de compreensão para o termo sociedade, enquanto processo complexo e sempre inacabado entre formas e conteúdos[1].
A cultura é a transmissão de opiniões, conhecimentos e comportamentos de um indivíduo ou individuos (grupos sociais) com uma pluralidade de formatos visuais, verbais e/ou afectivos (esta concepção de cultura aproxima-se da concepção estrutural segundo Thompson[2]).
Hoje em dia, o termo correcto, a usar, será cibercultura, porque esta transmissão é contínua, já não obedece ao ciclo solar ou laboral como acontecia até há umas décadas atrás, em que grupos sociais, limitados pela sua especificidade ou pela transmissão que iria ocorrer se reuniam para “beber” cultura.
Os fenómenos recentes de cultura encontram na internet o seu veículo de transmissão mais importante.
Efectivamente, a internet é uma forma de transmissão de cultura, contudo existe a tendência de considerá-la um “ramo da cultura”, atendendo às suas especificidade (locais de acesso, linguagem escrita utilizada[3], grupos sociais que se formam em torno dela). Quanto a esta última frase devo referir que a internet em si não é cultura, mas sim uma forma de culturização, se verificarmos alguns substractos sociais usam a internet como os romanos usavam o Latim, como forma de aculturização. A internet é usada cada vez mais no seu sentido lato[4], sendo confundida com ciberespaço[5], por isso é indiferente chamarmos-lhe internet[6] ou ciberespaço, latu sensu.
O ciberespaço permite aos seus utilizadores: rapidez de comunicação, acesso a uma fonte infindável de informação, poupança, divertimento, multimédia, contacto com pessoas de outras culturas como se estivessem aqui ao lado (aldeia Global), execução de tarefas que antes obrigavam a filas, centralização de aplicações (ferramentas) e evitar o analfabetismo. Em relação ao ciberespaço e às suas ferramentas Pierre Levy menciona[7]: “Sem fechamento semântico ou estrutural, a web não está parada no tempo. Aumenta, mexe-se e transforma-se sem parar. A world Wide web está a fluir, a escoar. As suas inumeráveis fontes, as suas turbulências, a sua irresistível ascensão oferecem uma fantástica imagem da cheia contemporânea da informação. Cada reserva de memória, cada grupo, cada indivíduo, cada objecto pode tornar-se emissor e aumentar o fluxo.” “As páginas Web expressam as idéias, os desejos, os saberes, as ofertas de transação de pessoas e grupos humanos. Atrás do grande hipertexto está borbulhando a multidão e as suas relações.” É a bomba das telecomunicações a que se referia Einstein na remota década de 50. já vimos as potencialidades, quanto às restrições ou constrangimentos devo salientar a dificuldade na filtragem da informação – separar a relevante da desprezável, a falta de garantias na credibilidade da informação e por fim o congestionamento da rede (embora este seja possível de soluccionar).
Desta forma, a tendência crescente da humanidade é, ao nível da formação e da educação, usar o ciberespaço como forma de transmissão de informação e de realização do objectivo último de modelar competências e comportamentos em indíviduos permitindo evolução técnica e tecnológica.
O aproveitamento descrito no parágrafo anterior só será possível através de novos sistemas de ensino e métodos pedagógicos que permitam autonomia ao formando para aprender onde, como e quando quiser associados ao desenvolvimento de novas estruturas organizativas, orientadas para a elaboração de e-conteúdos de formação cada vez mais exigentes, mas, simultaneamente apelativos e interactivos com o utilizador. Neste contexto, o docente passará a ser um mediador, um tutor, o “apelador” que visa despertar a curiosidade no formando[8].
Até os maiores gurus da gestão mencionam o potencial da Internet, para Michael Porter, pai da análise SWOT[9]: “Internet Technologies provides better opportunities for companies to establish strategic positionings than did previous generations of information technology.”, nesta conjuntura a formação profissional, é encarada, cada vez mais como um ponto forte da estrutura humana da empresa e a internet é vista como o “veículo” dessa formação. A própria população (World) portuguesa já se apercebeu das potencialidades (oportunidades) do ciberespaço, conforme constatar no cap. 4 do livro de Gustavo Cardoso, pág. 142[10] – A Sociedade em Rede em Portugal – onde podemos constatar, que embora estejamos longe dos valores esperados pelo choque tecnológico do governo português actual, já obtemos valores encorajadores pois em 2003, 29%[11] da população utilizava a Internet e no 2º Ciclo do Ensino básico se encontram bons valores (21% dos alunos utilizam as novas tecnologias).
Resumindo a Internet/Ciberespaço socializa, educa e acrescenta valor à cultura como meio de transmissão da mesma.
BIBLIOGRAFIA
- Cardoso, G. (2005). A sociedade em rede em Portugal, porto. Campo das Letras – Editores S.A.
- Castells, M. (2005). A sociedade em rede. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
- Lévy, P. (1990). As tecnologias da Inteligência. O futuro do pensamento na era da informática. Lisboa: Instituto Piaget.
- Slevin, J. (2000). Internet e sociedade. Lisboa: Temas e debates.
- Lévy, P. (2000). Cibercultura. São Paulo: Editora 34.
- Porter, M. (2001). Strategy and the Internet. Harvard: Business review.
[1] Michel Maffesoli – sociólogo francês.
[2] “…troca de informação e de outros conteúdos simbólicos entre indivíduos e organizações sutuados em contextos e specíficos…”
[3] Assistimos a um desenvolvimento da escrita por forma a poder facilitar a comunicação via Internet.
[4] Inicialmente foi criada como ferramenta, hoje em dia confunde-se com todas as formas de transmissão via rede analógica ou digital.
[5] Termo inventado em 1984, por William Gibson, no romance de ficção científica Neuromante. No livro, o conceito designa o universo das redes digitais, descrito como o campo de batalha entre as multinacionais, palco de conflicto mundial e nova fronteira económico-cultural.
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ANO |
CARACTERÍSTICA |
OBSERVAÇÕES |
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1969 |
ARPA-ARPAnet |
Constituída por 4 computa-dores gigantescos |
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1977 |
TCP/IP |
Protocolo de Internet |
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ANOS 80 |
MILnet-NFSnet |
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83 |
INTERNET |
Separação da Milnet da Arpanet |
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89 |
WWW(texto) |
Apenas texto |
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93 |
WWW(gráfico) |
Multimédia |
[7] Corresponde a trechos extraídos de textos com tradução de Português do Brasil da obra: LÈVY, Pierre. Cibercultura. 2ª Ed. São Paulo, Editora 34, 2000.
[8] “Os utilizadores da Internet só se tornam recebedores se optarem activamente por visitar a Website e ir “buscar” a informação.” – SLEVIN, James. Internet e Sociedade. 2000.
[9] Strengths, Weakness, Opportunities, Threats – Pontos fortes (Forças), Pontos fracos (Fraquezas), Oportunidades e Ameaças, perspectiva, pela qual podemos analisar todas as entidades e ou produtos, quer económica quer educativamente.
[10] Para mais dados relevantes, ver pág. 155.
[11] De acordo com o estudo feito a uma amostra de 2450 pessoas
Comentários Gerais à obra de Lévy.por Paulo Gonçalves – Quinta, 8 Fevereiro 2007, 22:02 8 Fevereiro, 2007
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Viva,
De uma forma genérica e breve gostaria de salientar que o filósofo francês LÉVY desenvolveu a mesma articulação de Walter Ong mas de uma forma mais radical, aplicando os conceitos introduzidos por Ong de uma maneira prática e adaptada à realidade do mundo actual. E podemos verificar isto no seguinte trecho da obra:
“O hipertexto recupera e transforma antigos interfaces da escrita (…) Mas é também a invenção, em algumas dezenas de anos, de um interface normalizado extremamente original: página de título, cabeçalhos de capítulos, numeração regular, índice, notas, remissões. Todos estes dispositivos lógicos, classificatórios e espaciais se sustentam uns aos outros no seio de uma estrutura admiravelmente sistemática: não há índice sem capítulos claramente diferenciados e anunciados, não há índice, remissões para outras passagem do texto, nem referências precisas a outros livros sem páginas uniformamente numeradas. Hoje, estamos de tal modo habituados a este interface que não lhe pretamos atenção. Porém, no momento em que foi inventado, ele criou uma relação com o texto e com a escrita completamente diferente da que existira com o manuscrito: possibilidade de folhear, de acesso não linear e selectivo do texto, de segmentação do saber em módulos, de ramificações múltiplas a uma infinidade de outros livros graças às notas de pé de página e às bibliografias.” (As tecnologias da inteligência, pág. 44)
Paulo
Quem é quem no ensino a distância por Paulo Gonçalves – Terça, 06 Fevereiro 2007 8 Fevereiro, 2007
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Anne-Nelly Perret-Clermont:
- casada, mãe de 4 filhos;
Títulos académicos:
- Licenciada em Psicologia pela Universidade de Genève (Genebra).
- diplomas de Conselheira de Orientação Escolar e Profissional nas Universidades de Lausanne et Genève.
- Mestre em “Ciência do desenvolvimento Infantil”, pelo Institut of Education, Universidade de Londres.
- Doutora em Psicologia Social pela Universidade de Genève,
- Prémio Latsis National (Suiço), 1989.
Domínios de Especialização:
- Psicologia social do desenvolvimento e da aprendizagem. Transmissões culturais (escolares, profissionais, técnicas, científicas, religiosas) e formação. Relações interculturais em contexto educativo.
Carreira profissional:
- Professora associada na universidade de Genève e professora convidade em inúmeras Universidades Estrangeiras.
- Mantêm um interesse particular pelo exame psicológico das condições interpessoais, sociais e culturais que permitem espaços de pensamento e conhecimento.
- Público alvo: escolas de enfermagem, animadores, educadores, professores, enfermeiros, etc.
- Outras actividades: acompanhamento de projectos em creches, escolas, escolas superiores, formação a distância, formação profissional, etc.
Principais Publicações:
- La construction de l’intelligence dans l’interaction sociale. P. Lang, Berne (1979, reéd.:1996). Trad. anglais, espagnol, portugais, russe, italien, serbe.
- Apprendre un métier technique. L’Harmattan, Paris, 2004 (avec J.F. Perret). Trad. en portugais et en anglais en préparation.
- Pluriculturalité culturelle et éducation en Suisse. Lang, Bern. Trad.allemand.
- Joining society. Cambridge University Press, Cambridge, 2004 (avec al.). Trad. en portugais.
- Thinking time. Hogrefe, Göttingen, 2005 (avec al.). Voir site http://www.unine.ch/psy/ Articles en douze langues.
Principais Congressos, Conferências e Colóquios:
- Conf. intern. “L’espace thérapeutique”. Neuchâtel. Avec l’ANPP.
- Invited guest speaker, British Psychological Society, 1996, 2000
- Cognitive Development: Open University & BBC.
- Conf. intern. “Penser le Temps”, Centenaire Jean Piaget, Neuchâtel
- Internal Society for Cultural & Activity Research, Séville, 2005
Outras Curiosidades:
- Membro do Conselho Suiço da Ciência (1980-1986).
- Membro do Conselho de Pesquisa do Fundo Nacional de Pesquisa Científica (1992- 2000).
- Co-Presidente do DORE (pesquisa aplicada ao HES) (1999-2003).
- Membro do Conselho da Universidade da Suiça italiana.
- Membro da Comissão da Fundação Marcel Benoïst.
- Membro do Comité ISCAR.
- Línguas faladas pela autora: fluente em Francês, Inglês, Italiano e Alemão; línguas menos fluentes, só para uso cietnífico: Espanhol e Português.